1 May 2011

ALEGRIA

ALEGRIA, texto de Ana Veet Maya
foto: raqueluiza.blogspot.com / flickr.com /

Ainda menina, sempre quando eu voltava do Corinthians a pé, nada havia na minha mente a não ser beber água.

Caminhava com tanto cansaço, depois de horas de exercícios, que só o pensar na água descendo goela abaixo, já me dava alívio e alegria.

Entrava em casa correndo e ia direto pro tanque. Porque tinha que ser água de bastante, escorrendo abundante!

Bebia, bebia, até a barriga doer.
A alegria era imensa. Não dava pra medir.
E tudo estava certo.

Quando chovia forte e trovejava, minha avó pedia que a gente escondesse as tesouras.
Eu tinha medo que o céu fosse cair.
Mas uma vez assisti a um filme que mostrava duendes jogando boliche no céu.
O filme dizia que era isso o que provocava aquele barulhão...
Ficou tão simples tudo.
E nunca mais tive medo de trovão...

À noite eu tinha pesadelos, suava frio.
Meu pai vinha me cobrir e sorria pra mim.
Contava piadinhas engraçadas e puras.
Minha avó dizia que depois da meia-noite já começava a clarear.
Dizia pra gente não focar no escuro e sim, na luz.
De repente eu ouvia passos no corredor do quintal.
Era meu avô, madrugando pra ir trabalhar na feira.
Ele sempre dava uma tossidinha quando abria o portão.
E quando eu o ouvia, sabia que o dia estava raiando e eu vencera mais uma vez o medo da escuridão.
A vida continuava.

Eu adorava ver minha avó escovando os ternos do meu avô, enquanto ele se barbeava cantando as músicas de Nelson Gonçalves.
Casa em festa!
Família unida!

À noite meu irmão e eu pegávamos uma lanterna e brincávamos de cabaninha, iluminando por debaixo das cobertas.
Quantas viagens e risadas!
E tudo era simples e natural.

Minha mãe toda semana, comprava um pouco de guloseimas na feira.
Nossa vida era regrada e as guloseimas tinham que durar a semana toda.
A casa ficava em festa, cheirando bolacha, cheirando docinhos de leite, delicados e jujubas.

Os incentivos da minha mãe, os conselhos da minha avó, o canto do meu avô, o sorriso cúmplice do meu pai, a inocência do meu irmão, o cheiro da minha casa em festa, tudo isso ainda inunda minhas narinas e refresca a minha mente, massageia meu coração.

Alegria!



A alegria é mais forte que a dor. A alegria dá asas para a criatividade, traz paz ao coração. A alegria une os corações puros.


A alegria é simples. 
Não precisa de enfeites. 
Não precisa de dinheiro. 
Basta saber olhar.
Basta enxergar com os olhos do coração...







Hoje olho o mesmo céu azul.
As nuvens ainda formam desenhos.
E eu escuto “you are my special Angel till the eternity”...
E eu me emociono.
Que eu possa ser sempre alegre e expandir essa vibração.
( a foto ao lado foi sacada no Templo Zulai)




ALEGRIA, texto de Ana Veet Maya

4 comments:

  1. simplesmente perfeito
    e que foto belissima ein?
    bjokonas

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  2. Doces lembranças, conheci todos esses personagens que conta, exceto seu avô...não me lembro dele, viajei contigo nessas recordações! Lindo texto!Irani

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  3. Lindo Ana!!! Me identifiquei muito. Bj

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  4. Muito obrigada a todos vocês que deixam comentários. Crescemos com eles. Abraços a todos.

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